As mudanças climáticas estão remodelando os padrões de temperatura e umidade, criando condições favoráveis para o crescimento de fungos do gênero Alternaria, especialmente Alternaria alternata. Esses fungos estão se disseminando de forma mais ampla entre culturas e regiões, aumentando o risco de contaminação por Alternariol (AOH), principalmente durante o armazenamento e o transporte.
O Alternariol é um composto benzocromenona isocumarínico, e sua produção é intensificada sob estresse ambiental, como as variações na atividade de água frequentemente causadas por eventos climáticos extremos. Como resultado, o AOH está emergindo como um risco significativo para a segurança de alimentos e rações em todo o mundo.
Uma vez produzido, o AOH pode persistir ou se ligar a açúcares e sulfatos, formando “micotoxinas mascaradas” que escapam da detecção, mas podem reverter à sua forma tóxica durante a digestão. Altas concentrações foram encontradas em cevada e nozes. Devido à sua resistência ao calor e ao processamento, a contaminação pode ser facilmente transferida de cultivos brutos para produtos alimentares e rações finais.

Nos animais, o AOH tem múltiplos efeitos tóxicos. Estudos em ratos relatam estresse oxidativo, danos ao DNA e inflamação, especialmente nos tecidos hepático e intestinal. Ele também imita o estrôgeno e interage com receptores de andrógeno, o que pode perturbar as funções reprodutivas e endócrinas. Embora a toxicidade aguda seja baixa, a exposição crônica a baixas doses por meio de ração contaminada pode afetar a saúde animal, a produtividade e a fertilidade.
Monitorar sua presença em cultivos e ingredientes de rações, desenvolver modelos preditivos baseados em dados meteorológicos e promover ligantes de micotoxinas de amplo espectro são etapas fundamentais na estratégia de gestão de risco.
